PF indicia 15 pessoas por esquema bilionário do Master
A Polícia Federal solicitou mais 60 dias para aprofundar as investigações, concluir perícias e apresentar um relatório complementar.
29/10/2026 14:37:20
A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (28), um relatório parcial das investigações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O documento, com mais de 700 páginas, apresenta o indiciamento de 15 pessoas, mas nenhum dos nomes relacionados na lista é identificado como beneficiário de supostos pagamentos de propina.
Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro; e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Os três estão presos e foram alvos de diferentes fases da Operação Compliance Zero.
A relação apresentada pela PF reúne seis ex-sócios ou ex-gestores do Banco Master, sete ex-gestores do BRB e dois sócios da Tirreno, empresa apontada pelos investigadores como uma estrutura de fachada utilizada no esquema.
Apesar da dimensão do caso e dos 15 indiciamentos, a lista divulgada não identifica pessoas que teriam recebido propina qualquer quantia do desvio. E segundo a própria PF, o esquema de pirâmide finaceira que gerou o escândalo, pagou quantias altissimas e ministro do STF, a senador, e ourras figuras da república.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa integravam o chamado "núcleo estratégico da organização criminosa", responsável pelas articulações para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB entre 2024 e 2025.
O BRB, cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal, chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no Banco Master. A tentativa de aquisição foi barrada pelo Banco Central. Posteriormente, foram identificadas suspeitas de irregularidades em carteiras de crédito adquiridas pelo banco público, incluindo operações sem lastro.
A investigação também aponta Daniel Vorcaro como líder da organização, responsável por centralizar decisões relacionadas à produção, aquisição e transferência de carteiras de crédito utilizadas na captação de recursos.
A Polícia Federal solicitou mais 60 dias para aprofundar as investigações, concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Com a investigação ainda em andamento, permanece a questão sobre a eventual identificação e responsabilização de beneficiários de pagamentos ilícitos, caso essas operações sejam comprovadas.